quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Minha Cidade

Num post anterior escrevi que não faria mais comentários sobre o cinquentenário... mas! Lembrei do meu poema que foi selecionado no concurso Poetas da Cidade: Brasília 50 Anos, do SESI-DF e Rede Globo Brasília, para compor uma antologia poética, Asas, Eixos e Versos, em homenagem à data, e acho interessante torná-lo mais público por meio do blog. Isso basta, né? O poema está na página 52. Lá vai:

Brasília, 50 Anos

Minha cidade é uma flor do cerrado,
Sempre Viva que brotou num abril,
Feita do sonho tolo e delicado
De florescer gente e um novo Brasil.

Brasília é um mistério de asfalto e cal,
Tão incerto é o seu destino concreto:
De um passado amargo, vil e desigual
Gerar um amanhã doce e liberto.

Só um coração ingênuo se doaria
Embaixo de luar, confusão e poeira,
Em troca de uma frágil alegria.

Sem calçada a pessoa anda ligeira,
Tem no peito uma flor de ipê bravia,
Nas mãos a chama da pátria inteira.

Minha cidade é mulher carente,
Dama ferida e menosprezada,
Tantas vezes dura com sua gente,
Outras vezes tratada como piada.

Quem é de Brasília pode entender
O prazer de ver um céu sujo e belo,
Feito de pôr-do-sol e amanhecer,
Entre prédios de esperança e flagelo.

E apesar disso, jamais há tardança
Em realizar sonhos e missões,
No capital monumento à esperança.

Pois Brasília é dama que a milhões,
Velhos e novos candangos, encanta,
Aquém aos insultos dos seus vilões.

Só acata o amor ardente e o ódio enfermo:
A alma brasiliense avilta o meio termo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eu Caio de Bossa, Eu Sou Quem Eu Sou

Não consigo encontrar o autor da foto, alguém por favor de diga quem é!



Faz uma bela manhã hoje na Capital Federal, e por acaso ou não dessa vida, meu amigo Carlos lembrou de uma daquelas boas do poetinha! É sobre A Tonga da Mironga do Cabuletê, leia aí embaixo:


"Vinicius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco 'A Arca de Noé', fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino. Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico”, que milagre… a censura estava em alta, DOPS, ato 5, torturas… a Bossa Nova em baixa. Opositores ao regime pagando com a liberdade e com a vida o preço de seus ideais. O poeta Vinicius é visto como comunista pela cegueira militar e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de easy music. No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria. Vinicius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois. Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”. O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta. Com Toquinho, Vinicius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves. Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa. E o poeta ainda se divertia com tudo isso: 'Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô'".
Fonte: José Castello. (1994). Vinicius de Moraes: o poeta da paixão: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.

Ouça a música na deliciosa voz do saudoso Wilson Simonal: http://www.youtube.com/watch?v=5ztsdAuILZ8


...quero ver Irene dar sua risada... (outra de Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Lago Paranoá

Foto de Glauber Sousa.

O LAGO PARANOÁ

O Lago Paranoá é quente,
Água doce, calma e limpa,
Nela se refletem o Sol e a Lua,
Como a barriga da minha mãe.
Nasceu aqui como eu,
Seus pais eram de outras terras,
É a barriga da minha mãe.

Peço o gosto dessa brisa pouca,
Lá vem a chuva. No seu colo dormem
Muitos aguapés e três frágeis ilhotas,
Tilápias gordas, garças vistosas,
As necessárias carpas, o velho Cará
E o medo das capivaras e jacaretingas.
Comi gambá quando criança,
Coisa que não se faz.

Faz calor, muito, pouco vivo seu remanso,
Passo ao largo, olho,
Quero pular suas ondas ralas,
Mas Brasília é pressa e beleza fugidia,
Tanta gente que olha pra dentro
Com medo de tocar o sonho da vida...
O pardal conhece melhor que eu.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Brasília é uma Cidade Arisca

Encontrei essa imagem no blog Perfume & Moda (http://perfumemoda-bobpires.blogspot.com/2010/04/brasilia-50-anos.html), sem indicação da autoria. Quem souber, por favor me informe.












Um último comentário sobre os 50 Anos


Brasília é uma cidade arisca, e alguns brasilienses desenvolveram o mau hábito de desconfiar, desprivilegiar ou depreciar as pessoas que na Capital Federal formam idéias, em qualquer campo. Da política às artes, passando pela ciência, o que é produzido fora do Eixo e além do quadradinho parece mais valioso do que se faz nessa grande cidade formada pelo Plano Piloto e suas periferias. Qualquer iniciativa que valorize o papel cultural do brasiliense, nascido aqui ou que adotou Brasília, é um reforço digno para que a memória candanga não termine em sua fundação e continue fazendo uma História, uma tradição mais amena, gentil, quiçá! Nos 50 anos da Capital da Esperança, livros sobre a sua História ou seu dia-a-dia são presentes que aliviam a solidão e a impressão de falta de espaço, e suprem a carência de mais iniciativas que deveriam estar movimentando intensamente a cidade, reavivando-a, e se empenhando para projetá-la nacionalmente em sua importância simbólica, estratégica e estética.



Visual Atualizado


A foto à esquerda, que ilustrava o cabeçalho do meu blog há mais de um ano, já estava desatualizada, por isso a estou substituindo pela do meu novo visual, com cabelo em estilo chanel.

Grená

Foto de uma cena da peça A Inevitável História de Letícia Diniz.











GRENÁ


Poeira avermelhada nos carros,
Do vestido e do sangue
Secando a perda e a escolha.

Terra e céu se beijam mas dividem
A espera e a criação.
Criança imantada no fundo.

Então, como a cor intensa é nula,
Somente os cegos escutam seus comandos,
E a vida prossegue ou aflora.

Sim, certa é indecisão das horas,
O erro das partidas e o canto
Silenciado, mas as cigarras escavam!

O subsolo respira porque lhe abrem.
Alguém, nalgum lugar qualquer encara
O insubstituível desafio de viver.

E talvez ter um sonho grená.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Inspiração

Brasília vista da Estação Espacial Internacional (foto do astronauta Paolo Nespoli).


INSPIRAÇÃO

O seu sorriso não muda.

Sempre sincero, simples, espontâneo.

Você está na memória e no presente:

Você me lembra o gramado verde

Em frente à Biblioteca,

Tão bom!

Hoje seus cabelos são orvalho

Nos meus olhos

Coração puro o seu

Odor de bondade

Prata,

Tantos desejos.

O que haverá nesse segredo seu?

Só vida, só querer bem.

Você me escreve ao longe:

"O novo mundo se faz,

Há formas diversas de apreciar a vida,

Só é digna quem é fiel às suas idéias,

O impossível entra em todas as portas"!

Você que me conhece de

Tão perto e tão distante,

Inspiração,

É a coisa mais maluca que eu gosto de sentir!