terça-feira, 6 de junho de 2017

Símbolo das pessoas Cis Aliadas de pessoas Trans

Autoria: Transgender Graphics. 26 de junho de 2014.

Para quem não sabe, Cis, ou Cisgênero, é toda pessoa que não é Trans, ou Transgênero.
Ou seja, denomina-se Cis a pessoa que se identifica com o gênero
que lhe foi atribuído ao nascimento.
Ao contrário da pessoa trans, que não se identifica com esse gênero atribuído.

terça-feira, 30 de maio de 2017

#Esefosse com Você?

Nesta quarta-feira participarei de evento do UNAIDS que objetiva promover diálogos questionadores sobre responsabilidade social, o papel de cada um e sobre como iremos conseguir frear as novas infecções pelo HIV:

sábado, 27 de maio de 2017

Conferência de Encerramento do Curso "Feministas nas Trincheiras da Resistência"

 Margarida Pressburger (Foto: Pablo Vergara).
 
O Curso de Extensão "Feministas nas Trincheiras da Resistência", do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Belford Roxo, coordenado pela Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus, convida todas e todos para a Conferência de Encerramento desta sua primeira edição, com o tema:

Feministas que enfrentaram a ditadura civil-militar de 1964

Conferencista: Margarida Pressburger
Data: 31 de maio, quarta-feira, das 17h às 19h.
Local: IFRJ Campus Belford Roxo, Av. Joaquim da Costa Lima, 2971, Belford Roxo/RJ

Quem é Margarida Pressburger?
Membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), foi representante do Brasil no Subcomitê de Prevenção à Tortura das Nações Unidas, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsecretária de Políticas para Mulheres do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Conselho Estadual da Mulher.

Telefone: (21) 3293-6078
Site: http://www.facebook.com/cursofeministas

domingo, 14 de maio de 2017

Sobre o 13 de maio:

Indico a leitura do meu artigo OLIVEIRA SILVEIRA NA UNB: MEMÓRIA COLETIVA E POLÍTICAS DE INCLUSÃO RACIAL, publicado em 2014 na Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN.

Nele, eu discuto a construção da memória coletiva do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e proponho uma reflexão mais estratégica sobre a importância de nos apropriarmos do 13 de maio, como um momento para retomar o protagonismo negro para a abolição da escravatura:
http://abpn.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/112/109



segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Livro Sem Título - Trecho

Vou transcrever um trecho do livro de poesia que publiquei em 2002. Espero que gostem, ele não existe digitalmente:

"VERSÍCULO ONZE
Devo escrever um poema.
No momento, no limite entre a vigília e o sono
Me perco, por isso os olhos generosos
Regam minha camisa branca com um choro lerdo,
Sonolento. Mexo unicamente os dedos,
Para escrever estes versos que sonham o que já se foi:
Ilusões perdidas, ilusões-fundamento-da-vida, mitologias.

VERSÍCULO DOZE
Vagas memórias lendárias,
Profundo sono da consciência.
Virá o dia em que acordarei.
Agora, no livro novo de minha vida,
O passado é personagem principal:
Uma lenda,
Um velho causo que esqueci,
Contado por minha avó.
Recordações de um amor verdadeiro
Furtadas pelo tempo malicioso.
                               *
Forçosamente consigo relembrar
Um falso romance.
Descubro que
                      O portal do coração
Tem um cadeado pesadíssimo!
Poemas de amor feitos de raios de luz
E da lua cheia se dissolvendo em nuvens de seda
Não explicam todas as coisas do amor,
Mesmo quando o som que os anima
É o de uma brisa mágica
Em um lugar há anos desejado.
Alguém certamente espera por alguém
Nesse local místico, tão próximo
Que é possível sentir a pessoa respirar
Próximo ao nosso pescoço,
Causando um tremor secreto.
                               *
Aquela mesma lua, dissolvida e dissolvente
De mim, baila no céu com vestido preto
Radiante de estrelas,
Cobrindo-nos com sua roupa de gala,
Convidando-nos para a festa da noite;
E nos aguarda. Basta você perceber.
                               *
"O que há para se perceber"? Pergunta-me
Você. Nem eu sei a resposta.
                               *
Decida-se, e a cadeia,
Que era destino,
Cairá...
           ...Com as memórias do tempo...
                                                              ...Perdido...
                            ...No labirinto de você.
                               *
Nesse labirinto, presságios o conduzirão,
Intuições, búzios, tarô
Transformados em ciência.
Confusa mandala de um não-sei-
                                                     mundo-para-lá-deste
Convidar-te-á para "dar uma volta"
Nos caminhos aquém dos seus.
                               *
O futuro é um caminho em minha mente.
A memória é uma lágrima do pensamento.
O amor é um buraco negro
No qual o mundo velho é desintegrado
Para reintegrar-se em um mundo novo.
                               *
Por favor, alivia minhas dúvidas
E apazígua meus temores,
Nem que seja com inverdades
Nas quais você piamente acredita,
Tanto que morre de amores por elas.
                               *
A escuridão da ignorância é cada vez mais pro-
funda
Em mim.
Liga a luz de seus olhos e ilumina a estrada
Pela qual trafegaremos.
Caso você me deixe só,
As batidas de meu coração sobressaltado
E o sussurro do vento,
Ouvirei".

JESUS, J.G. (2002). O Livro Sem Título. In: Terceiro Livro (pp. 51-54). Brasília: Thesaurus.

domingo, 23 de abril de 2017

GISBERTA, com Luis Lobianco


Assisti, com amigos (por intermédio de Júlio Moreira, do Grupo Arco-Íris), a peça GISBERTA, estrelada por Luís Lobianco e escrita por Rafael Souza-Ribeiro, em cartaz no CCBB Rio.

Eu tinha um temor prévio, e o confessei a Lobianco, por imaginar que aquela sobre a qual se falava, Gisberta Salce Júnior (mulher trans brasileira assassinada em Portugal, em 2006), seria interpretada por um homem cis (cis é toda pessoa que não é trans).

O que testemunhei foi um espetáculo de extraordinária sensibilidade. Texto, interpretação e ambientação impecáveis. A música presente, ao longo de toda a história, está imbricada na própria vida daquela sobre a qual se fala.

Comentei com Lobianco sobre como sua belíssima atuação (profundamente respeitosa), foi sensível, primorosa: sob uma longa túnica bege que me remetia - curiosamente - aos antigos romanos nas cerimônias fúnebres, e aos medicantes, ele falou de Gisberta a partir das vozes daqueles que a cercavam e dos silêncios de sua existência luminosa, apagada - após longa tortura - no fundo de um poço triangular...

É uma peça para tocar o público e estimulá-lo a ver as vidas das pessoas trans como vidas humanas, ao invés de as invisibilizar, como se costuma fazer; para mostrar, aos que assistem, o cotidiano de uma mulher trans, que sistematicamente tem sua mulheridade questionada.

O martírio de Gisberta se repete centenas de vezes todo ano, em sua nação de origem: o Brasil é o país no qual mais se matam pessoas trans no mundo. Aqui, 90% das mulheres trans e travestis só encontram trabalho na prostituição. Que outro grupo social está tão concentrado em apenas uma ocupação? Apesar disso, pouco se fala de transfobia (preconceito e discriminação contra pessoas trans) por estas terras.

Estou muito grata pelo que pude ver, ouvir e sentir, e espero que muitas outras pessoas possam ser tocadas pela mensagem deste espetáculo precioso, que defende a vida e a felicidade, contra o ódio e a ignorância.

#gisberta