quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Atrás dos Olhos


A Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (ATRAS) realiza, nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, às 19h, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, o pré-lançamento do documentário Atrás dos olhos, que conta a história de travestis que ajudaram a fundar e manter a entidade, criada em 1995. Além do pré-lançamento, a ATRAS irá homenagear, através da concessão do troféu Michele Marry, uma série de pessoas que se destacaram nos últimos anos na luta pela plena cidadania e direitos das pessoas travestis e transexuais.



O Centro de Cultura fica localizado no 2º subsolo do Palácio Tomé de Souza, no Centro Histórico. A atividade é aberta ao público e ainda contará com apresentações de travestis e transformistas, o lançamento de um folder sobre a ATRAS e do novo site da associação, que já pode ser acessado no www.atrasba.org. Além disso, ainda será realizado o lançamento, em Salvador, do livro Transfeminismo - teorias e práticas, de Jaqueline Gomes de Jesus e colaboradores. A cerimônia será comandada por Dion Santyago.



O documentário, site e folder foram criados pela ATRAS em parceria com o grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade, da Universidade Federal da Bahia, viabilizado através do edital de culturas identitárias da Secretaria Estadual de Cultura. “Tive a ideia de fazer esse documentário e encontrei o professor Leandro Colling (coordenador do CUS) em Ilhéus em uma reunião do Fórum Baiano LGBT. Ele adorou e começamos a fazer o projeto com o CUS, ganhamos o edital e agora estamos apresentando o resultado”, explicou Millena Passos, presidenta da ATRAS.



O documentário, de 20 minutos, foi dirigido por Fábio Fernandes, pesquisador do CUS, e André Araujo, que integra a equipe do coletivo de audiovisual do CULT (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). “Decidimos, desde o começo, não fazer um filme de caráter e formato institucional, mas que contasse histórias de pessoas, de como elas, em suas trajetórias singulares e marcadas por muita resistência, se dedicaram ao ativismo. Foi com esse espírito que concebi o título do filme, como uma metáfora dessas inúmeras e ricas narrativas ali guardadas nos olhos daquelas mulheres tão valentes e decididas a enfrentar um mundo transfóbico”, conta Fernandes. Entre essas pessoas estão Millena Passos, Keila Simpson, Martinha, Andreza Belushi, Karla Falhao, Luiz Mott, Ranella Márcia, entre outras. 

Serviço:
O que: Pré-lançamento do documentário Atrás dos olhos e 2ª edição do Troféu Michele Marry
Quando: dia 11 de dezembro, quinta-feira, às 19h
Onde: Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, 2º subsolo do Palácio Tomé de Souza, Centro Histórico.
Entrada livre 

Telefones para entrevista para imprensa
Millena Passos - 88873932 ou 92335663
Fábio Fernandes - 92012898
Carla Freitas – 87774630

Ficha técnica do documentário
Direção: André Araujo e Fábio Fernandes
Produção: Carla Freitas, Claudenilson Dias, David Souza, Millena Passos
Assistentes de produção: Nathaly Gonçalves, Letícia Moreira, Manuela Reis
Fotografia: Pedro Dell'Orto e Rafael Villanueva
Som: Mateus Ribeiro e Vicente Gongora
Edição: André Araujo
Roteiro: Djalma Thürler, Fábio Fernandes e Reinaldo Bittencourt
Identidade Visual: Caio Sá Telles

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mulheres Negras Pensando as Práticas Sociais, Culturais e Políticas


Hoje, 10 de dezembro, às 17h30, participo de um mesa redonda sobre "Mulheres Negras Pensando as Práticas Sociais, Culturais e Políticas", que faz parte da programação do I Congresso Internacional sobre o Pensamento das Mulheres Negras no Brasil e na Diáspora Africana.

Será no Auditório Central da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia - UFBA, no Pelourinho, Salvador/Bahia.

Em minha fala pretendo enfocar os meandros do empoderamento para grupos sócio-historicamente discriminados (em especial mulheres negras lésbicas/bissexuais/transgênero), e trazer uma crítica à crença brasileira do(a) intelectual como inerentemente/organicamente associado(a) a alguma instituição de ensino superior.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Semana do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) 2014


Durante o evento, no dia 16/12, terça-feira, às 14h15, abordarei o tema Relações Étnico-Raciais e Gestão da Diversidade.

Cultura de paz é o tema principal da Semana do Ministério Público 2014
http://www.mppe.mp.br/mppe/index.php/comunicacao/noticias/ultimas-noticias-noticias/3427-cultural-de-paz-e-o-tema-principal-da-semana-do-ministerio-publico-2014

1°/12/14 - O preâmbulo da constituição da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que tem por objetivo promover a segurança e paz, traz a seguinte frase: Como as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas. Assim como o bélico, a agressividade, o ataque e a violência são ensinados e passados de geração a geração, como elementos culturais, o respeito, a tolerância, a amorosidade e a paz também podem.

Segundo a Unesco, a cultura de paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura baseada em tolerância e solidariedade, uma cultura que respeita todos os direitos individuais, que assegura e sustenta a liberdade de opinião e que se empenha em prevenir conflitos, resolvendo-os em suas fontes, que englobam novas ameaças não militares para a paz e para a segurança, como a exclusão, a pobreza extrema e a degradação ambiental. A cultura de paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, negociação e mediação, de forma a tornar a guerra e as violências inviáveis.

Uma temática que é global e individual ao mesmo tempo, uma vez que a ação de um indivíduo reverbera na coletividade, impele a mobilização de vários atores sociais, e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), como agente da transformação social e em sintonia com a necessidade e importância do tema, o escolheu como assunto principal para a Semana do Ministério Público de 2014, a ser realizada de 12 a 17 de dezembro, no Recife.

A programação da Semana começa na sexta-feira (12) com a confraternização da Associação dos Membros do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE), na Di Branco Recepções. No sábado de manhã, será a Corrida da Família MPPE, com largada da rua da Aurora, 1259, Santo Amaro (em frente ao Banco Central).

Na segunda-feira (15), a palestra de abertura traz o tema O Ministério Público como Agente de Transformação Social, ministrada pelo diretor da Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo, promotor Marcelo Pedroso Goulart. Em seguida, dando a vez também para o humor, o convidado especial é Jessier Quirino. Sobre o estilo, Jessier Quirino, informa, no seu blog, que “é fazer cócegas em balancete de banco oficial, pois é o ofício de quem persegue o humor”. A palestra e a apresentação acontecerão no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, localizado na rua da Aurora, n°885, 10° andar, Boa Vista.

Já na terça-feira (16), as atividades começarão com o monólogo Quedante, pelo escritor recifense Sidney Nicéas, às 14h, no auditório da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco, na rua do Sol, n°143, edf. Ipsep, 7° andar, Santo Antônio.

Em seguida, às 14h15, será desenvolvido o painel O Ministério Público e a Cultura de Paz, que trará três temas: Relações Étnico-Raciais e Gestão da Diversidade, a ser ministrado pela professora do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal e investigadora da Rede de Antropologia Dos e Desde os Corpos, Jaqueline Gomes de Jesus, doutora em psicologia social; A Inclusão Social e a Dependência Química, pelo coordenador do Núcleo de Políticas Públicas do Ministério Público de São Paulo, promotor de Justiça Eduardo Ferreira Valério; e o Ministério Público e a Cultura de Paz, pela superintendente de modernização da Gestão e do Atendimento ao Cidadão da Seplag/Sergipe, Deborah Arôxa.

Em Beagá da Serra do Curral Del Rey


"Venha até a esquina, você não conhece o futuro
Que tenho nas mãos".

Milton Nascimento

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

#SouContraPLN36


Mais de R$ 444 milhões em troca da aprovação do PLN Nº 36, que autoriza o governo, em dezembro de 2014, a NÃO cumprir a meta de superávit definida para esse mesmo ano.

ESCANDALOSO!

Curso de Extensão "Introdução Crítica ao Direito das Mulheres"


Está previsto para o dia 05/12/14 o início das inscrições para a 1ª edição do curso de extensão “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres”, ofertado na modalidade a distância e executado pelo Centro de Educação a Distância da Universidade de Brasília (CEAD-UnB), em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR).

O curso terá duração de 4 meses compostos por 14 módulos temáticos de discussão.

Ao todo, serão ofertadas 500 vagas para todo o Brasil, tendo como público-alvo estudantes de nível superior, gestoras(es) públicas e militantes de movimentos sociais que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher de todas as regiões brasileiras.

O objetivo desta extensão é possibilitar a esse público uma formação crítica sobre o direito das mulheres para que possam atuar como multiplicadores dos conhecimentos trabalhados no curso e que assim:

● consigam inserir em sua prática cotidiana os conhecimentos construídos com o curso, em especial, na elaboração de políticas públicas, na orientação e no atendimento de mulheres vítimas de violência;

● saibam atuar de forma crítica e fiscalizadora frente aos órgãos públicos de saúde, de segurança, e do Poder Judiciário, responsáveis pelo cuidado, segurança e garantia de justiça nos casos de violência contra a mulher, contribuindo, deste modo, para uma melhor atuação destes órgãos.

Maiores informações em: http://plpunb.blogspot.com.br e http://www.cead.unb.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A luta das assistentes sociais pela redução da jornada sem redução de salário

Das Blogueiras Feministas:

Esther Lemos, vice-presidente do Conselho Federal de Serviço Social. Foto de Amanda Vieira.

A luta das assistentes sociais pela redução da jornada sem redução de salário

O protagonismo das mulheres na luta por melhores condições de trabalho: leia a entrevista com a vice-presidente do Conselho Federal de Serviço Social Esther Lemos e saiba como as assistentes sociais estão conseguindo conquistar melhores condições de trabalho.

Por Amanda Vieira para as Blogueiras Feministas.

Reivindicar melhores condições de trabalho é uma tarefa árdua mesmo para as profissões em que os homens são maioria. Sabemos que quando a demanda vem de mulheres, a receptividade dos empregadores é ainda pior (o episódio envolvendo o CEO da Microsoft ilustra essa situação de como o mercado enxerga negativamente a mulher que toma a atitude de reivindicar aumento de salário). Muitas vezes as mulheres deixam de buscar melhores condições com medo de sofrerem retaliações financeiras ou em sua reputação profissional.

Para fortalecer a luta das mulheres e contribuir com o debate sobre a valorização delas no mercado de trabalho, conversei com a vice-presidente do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Esther Lemos, sobre uma recente conquista da categoria: a redução de jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salário.

A pesquisa sobre o perfil profissional do assistente social, realizada em 2005, apontou um percentual de 97% de mulheres na categoria. Acredita-se que, atualmente, o número de homens tenha aumentado, embora as mulheres continuem sendo a maioria. Hoje existem aproximadamente 150 mil assistentes sociais registrados nos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) em todo o Brasil.

Para saber como é a luta das assistentes sociais para conquistar a redução de jornada sem redução de salário, confira a entrevista com Esther Lemos.


Quais foram as principais motivações para que as assistentes sociais reivindicassem redução na jornada de trabalho sem redução de salários?

Defendemos a jornada de trabalho de 30 horas para assistentes sociais, sem redução de salário, porque ela contribui na nossa luta por melhores condições de trabalho para assistentes sociais e se insere na luta pelo direito ao trabalho com qualidade para toda a classe trabalhadora, conforme estabelece nosso Código de Ética Profissional. Nossa luta se pauta pela defesa de concurso público, por salários compatíveis com a jornada de trabalho, funções e qualificação profissional, estabelecimento de planos de cargos, carreiras e remuneração em todos os espaços sócio-ocupacionais, estabilidade no emprego e todos os requisitos inerentes ao trabalho, entendido como direito da classe trabalhadora. Além disso, vários desses trabalhadores necessitam do direito à jornada de trabalho diferenciada, devido às condições específicas de trabalho, pois são submetidos a longas e extenuantes jornadas e realizam atividades que provocam estado de profundo estresse, diante da convivência, minuto a minuto, com o limiar entre vida e morte, dor e tristeza, choro e lágrima, fato que é comum a diversas profissões da área de Saúde.

Quanto tempo levou entre assumir essa demanda e conseguir a sanção presidencial na Lei nº 12.317/2010?

Aproximadamente 3 anos se passaram, desde a proposição do projeto de lei na Câmara dos Deputados em 2007, até a sanção presidencial em 2010.

Como o CFESS conseguiu alcançar essa redução? Na sua avaliação, quais foram as ações que mais ajudaram a obter essa conquista?

A luta do Conjunto CFESS/CRESS por melhores condições de trabalho para os/as assistentes sociais começou três anos antes da sanção em 2010, logo que o Projeto de Lei, ainda com o nome PL 1.890/2007, foi apresentado no Plenário da Câmara pelo deputado Mauro Nazif (PSB/RO) no dia 28 de agosto de 2007. Uma infinidade de articulações foram feitas até que o PL ser aprovado na Câmara e chegar ao Senado Federal, com o nome de PLC 152/2008. Daí em diante, uma série de mobilizações para a votação do PLC 152 foi posta em prática: manifestação de assistentes sociais no plenário do Senado, reuniões com a então Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, encerrando com o grandioso Ato Público na Esplanada dos Ministérios, durante o 13º CBAS, no vitorioso dia 3 de agosto de 2010, quando o Projeto de Lei foi votado e aprovado no Senado. A sanção presidencial ocorreu exatamente 15 dias úteis depois, em 26 de agosto de 2010, após reuniões da diretoria do CFESS com a Casa Civil da Presidência da Republica, com os ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Trabalho e Emprego, do Planejamento, com a Advocacia-geral da União. O CFESS também lançou o abaixo-assinado em defesa da sanção da lei.

Como está sendo a implantação dessa nova jornada? Quais são os pontos de resistência a essa lei?

A luta do Conjunto CFESS/CRESS pela implementação da lei tem sido árdua, especialmente com a resistência do Serviço Público, especialmente em âmbito federal, de cumpri-la. Esse processo ganhou mais um capítulo em março de 2013, quando o CFESS entrou com uma ação de antecipação de tutela na Justiça Federal do Distrito Federal para que assistentes sociais de todo o Brasil tenham direito à jornada de trabalho reduzida, conforme a Lei 12.317/ 2010, que complementou a Lei de Regulamentação da Profissão (8.662/1993). A ação pede também a anulação da Portaria nº 97/2012, expedida pela Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que excluiu assistentes sociais do quadro profissional que têm carga horária reduzida. Tal portaria vem referendando decisões contrárias à aplicação da Lei das 30 horas, retirando um direito da categoria, conquistado com muita luta e garantido por lei.

A média salarial das assistentes sociais diminuiu com essa nova medida? E as condições de trabalho, ficaram mais precárias?

Ainda não temos pesquisas sobre esses dados.

Na sua avaliação, a redução de jornada melhorou a vida das assistentes sociais? Você recomendaria a redução de jornada para outras categorias profissionais?

Certamente. O atendimento adequado aos usuários do Serviço Social, a garantia de condições éticas e técnicas de trabalho estão entre os aspectos que são fortalecidos com a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, luta essa que está na pauta de reivindicações da classe trabalhadora em todo o mundo. A aprovação da lei nº 12.317/2010 equiparou assistentes sociais a várias outras profissões da saúde, que já conquistaram legalmente jornada semanal de 30 horas ou menos. Seis profissões da área da saúde já possuem jornada igual ou inferior a 30 horas semanais: médicos cumprem jornada de no mínimo duas e no máximo quatro horas diárias, auxiliares (laboratorista e radiologista) possuem jornada legal de quatro horas diárias, técnicos em radiologia têm jornada de 24 horas semanais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais trabalham 30 horas por semana. Outras sete profissões possuem Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional para redução da jornada de trabalho: enfermeiros/as, técnico/as de enfermagem, auxiliar de enfermagem, farmacêuticos/as, nutricionista, odontólogos/as e psicólogos/as.