quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Ilusão da Instrução

"Uma das ilusões liberais é que a instrução, por si só, seja fator capaz de transformar a sociedade, quando sabemos que em países como o Brasil o problema só poderá ser solucionado pela conjugação entre educação e consciência política progressista"
(Antônio Cândido, 2002, p. 7. Em: Educação e Políticas Públicas (Organizado por Ivan Valente e Lisete Arelaro).


domingo, 15 de novembro de 2015

QUEM CHORA POR MARIANA?


Agora inventaram até terremoto em Minas Gerais. Daqui a pouco tem maremoto também. A Vale/BHP/Samarco está pagando muito bem seus especialistas, assessores de imprensa, professores universitários e demais formadores de opinião.

O programa Fantástico, da Rede Globo, abriu falando do morticínio em Paris. Pouco sobre o desastre ambiental por aqui mesmo.

O Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, solidarizou-se com os franceses, iluminando-se nas cores do pavilhão francês. A Presidenta, horas depois dos atentados em Paris, pronunciou-se. Mas levou uma semana para ir a Mariana, e o Palácio não conheceu as cores de Minas Gerais.

Boa a consideração de um amigo mineiro: a Presidência deveria se pintar nas cores da lama de Mariana. Combinaria.

sábado, 14 de novembro de 2015

Lucas Aquino - Um Caso de Racismo Institucional?

Em 19 de setembro de 2015, por meio de seu perfil no Facebook, o estudante Lucas Ferreira de Aquino, do curso de graduação em Engenharia da Pesca da Universidade Federal do Ceará - UFC, denunciou postagens racistas por parte de colegas universitários. Acesse: https://www.facebook.com/falcao.bahia?fref=ts

Tomamos conhecimento do caso durante o XVIII Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social - ABRAPSO, realizado nas dependências da UFC entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro de 2015.

Após encontro com o estudante, levamos a questão aos participantes do Simpósio “Relações de gênero, preconceito e direitos sexuais”, no último dia do encontro, onde aprovamos Moção de Apoio, disponível em http://www.encontro2015.abrapso.org.br/informativo/view?TIPO=&ID_INFORMATIVO=581

Você pode conhecer os signatários da moção em http://jaquejesus.blogspot.com.br/2015/11/mocao-de-apoio-estudante-e-solicitacao.html

Assista a este depoimento do Lucas, gravado com o apoio de Vicente Emanuel, estudante de Psicologia da UFC:



O vídeo também está disponível em https://youtu.be/XE8SJbO-8RQ

No momento, a situação está da seguinte forma, conforme mensagem do estudante, que abaixo transcrevo:


Essa semana obtive a resposta da UFC junto à Defensoria Pública da União, em carta eles relatam que se reuniram.
Com os agressores, sem a minha presença, se posicionaram a favor deles, validando uma carta feita pelo CA da pesca, onde relatam que tudo foi uma brincadeira, que eu estou vulgarizando o Racismo. Por conta do ato de escracho que fizemos, a presidente do CA registrou queixa contra mim na delegacia, a diretoria do Centro de Ciência Agrárias abriu um processo contra mim na Comissão de Ética da Universidade, a pedido do CA.
Estou arrasado com tudo isso.
Estou escrevendo para solicitar apoio, pois terei que levar o caso à mídia, a Reitoria de posicionou contra mim, validando a carta que diz que sou violento e ponho em risco a segurança de todos os estudantes da UFC.
Estou precisando de apoio social.
Para piorar, o processo que abri na Defensoria Publica da União foi arquivado.
O defensor entendeu que, embora o racismo se repercuta dentro da universidade, não é a mesma que faz essa prática. Que o caso é entre mim e os alunos, que devo procurar a delegacia, Ministério Público e justiça comum para ingressar com processo. Que embora a resposta da universidade não seja satisfatória para mim, ela se pronunciou e inclusive me encaminhou para atendimento psicossocial e em forneceu o colchão.
Em sua resposta, a UFC valida a carta criminalizadora que o CA da pesca fez contra mim, negando a existência de racismo, vulgarização do mesmo e distorção dos fatos, por conta do ato que fizemos no dia 1º de outubro.
Consta nos anexos da resposta um processo da diretoria que o Centro de Ciências Agrárias cadastrou na Comissão de Ética da UFC, a pedido do CA, com outra carta de denúncia e um boletim de ocorrência na policia civil, onde relatam que sou violento e perigoso, que temem pela sua segurança em frequentar o curso, solicitando urgentemente soluções para que a segurança de TODOS os estudantes da UFC seja garantida.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

VOZES DOS HOMENS TRANS


Semana que vem, no dia 18 de novembro, quarta-feira, participarei da 1ª Conferência Internacional [SSEXBOX] & Mix Brasil, em São Paulo, compondo mesa sobre transfeminismo com Helena Vieira, Inês Castilho, Luciano Palhano e Viviane V. (Conheça a programação aqui: http://www.ssexbbox.com/programacao-1a-conferencia-international-ssex-bbox-mix-brasil-de-sao-paulo-2).

Essa é a mesma cidade na qual o estudante Samuel Silva (Samuca), homem trans, foi expulso de uma faculdade particular após ter criticado uma prática docente e ter sido ridicularizado na internet e em sala de aula, tendo sido recorrentemente tratado no feminino.

Buck Angel, ator pornô e ativista trans norte-americano, é uma das figuras mais destacadas pelo evento, além das de outros homens trans, incluindo pessoas com história e atuação importantíssimas no Brasil, como o escritor e psicólogo João W. Nery.

Eles me fazem pensar que o transfeminismo é um campo de pensamento-ação que precisa de reflexões acerca da auto-representação dos homens trans.

Como deve ser do conhecimento dos meus leitores, sou contrária ao apagamento da fala de homens trans sobre feminismos (e quando digo "feminismos" incluo o transfeminismo, por redundância).

Até hoje encontrei poucas contribuições de homens trans às leituras transfeministas, dentre as quais destaco o excelente capítulo do amigo pesquisador André Guerreiro ao nosso livro Transfeminismo: Teorias e Práticas, sobre despatologização das identidades trans a partir da ótica dos homens trans.

Os homens trans, pela sua particular experiência de vida, têm muito a dizer acerca de dimorfismo de gênero e controle sobre os corpos. Eles foram lidos e performaram como mulheres durante um longo período, e geralmente continuam sendo vistos como mulheres mesmo após se reconhecerem e viverem como homens, o que é perverso, ou no mínimo tosco.

Por um tempo relevante da história da cultura trans - predominantemente oral e que ainda está para ser transcrita - as vozes dos homens trans foram silenciadas ou rotuladas como de lésbicas masculinas; conheçam a poesia e do martírio de Anderson "Bigode" Herzer. Ele vivia e cometeu suicídio em São Paulo.

Dentre os maiores desafios para um Sistema Único de Saúde realmente integral está o parto humanizado - e quiçá o direito ao aborto - de homens trans. Como esses cidadãos são/estão sendo/serão atendidos na depauperada rede pública? Imagine na privada (estou sendo propositalmente ambígua).

Se os discursos das travestis e mulheres trans que se prostituem são sistematicamente silenciados nos debates sobre os direitos das/os profissionais do sexo (putas, putos e putes), pensem quão ignorados devem ser os discursos dos homens trans que se prostituem.

E no que tange ao princípio da intersecionalidade (sempre escrevo essa palavra com um "c" a menos, pensando num português mais brasileiro e menos lusitano), em um país majoritariamente negro, no qual ainda hoje - literalmente - me perguntam se existem outras mulheres negras trans além de mim, evidencia-se o apagamento das ideias e iniciativas dos homens negros trans.

Lembro-de de uma conversa ano passado, num bar quase na Cracolândia, em Sampa, na qual, acompanhada de Leonardo Peçanha e Luciano Palhano, papeamos a respeito disso, com pesar.

Vale ressaltar ainda que, neste Brasil continental, existe vida e produção de pensares e fazeres para além do eixo Rio-São Paulo, e há mobilização séria de homens trans de Brasília (Lam Matos, Marcelo Caetano), rodando entre Uberlândia e Palmas (Bernardo Mota, FerNando Vieira), passando até no Pará, que aliás não luta só desde ontem, como nos lembra Raicarlos Coelho, militante histórico.

Todas e todos, cisgêneros e transgêneros, temos muito o que aprender, principalmente sobre novas masculinidades (ou até antigas, porém invisíveis), com os homens trans.

BASTA DE FEMINICÍDIO NEGRO!


BASTA DE FEMINICÍDIO NEGRO!

Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA demonstra que o Estado brasileiro é ineficaz na proteção das mulheres negras e colabora efetivamente para a impunidade.

O assassinato de mulheres, em sua maioria, é por serem mulheres negras. O feminicídio tem cor. Veja os dados abaixo:

De cada 10 mulheres assassinadas no Brasil, 6 SÃO NEGRAS. De cada 10 mulheres assassinadas no Centro-Oeste, quase 7 são negras; No Norte, 8 são negras. No nordeste, QUASE 9 SÃO NEGRAS!

Em 10 anos (a Lei Maria da Penha foi promulgada em 2006), o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10%. E O DE NEGRAS SUBIU 54%!

Leia o estudo "Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil" em http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf


BASTA DE FEMINICÍDIO NEGRO!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DESAPARECIDA: LETÍCIA CAMPOS


Gente, um caso muito sério de desaparecimento no Rio de Janeiro, que pode envolver transfobia.

Não vou comentar os erros teóricos da matéria, e nem olhei os comentários, o importante é tentar encontrar essa moça, se possível sã e viva.

O nome dela é LETÍCIA CAMPOS, moradora da Praça Seca, na Zona Oeste. Foi a um pagode no domingo e saiu com um rapaz para o sítio dele na Vila Valqueire.

Saiba mais na matéria do G1, aqui: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/11/transexual-some-no-rio-apos-sair-de-festa-com-rapaz-de-quem-omitiu-sexo.html

QUALQUER INFORMAÇÃO, LIGUE PARA 2202-0338

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ESCREVER E AGRADECER

Receber muito carinho, e agradecer afetuosamente, também é uma possibilidade no mundo virtual! Acho importante mostrar a todos, para que a beleza e força de nossa vida em rede seja mais reconhecida.

A internet é um vasto campo, onde podemos semear vida, beleza, resistência e superação. E assim nos fortalecemos.

Magô Tonhon, minha querida, mais uma vez te agradeço e abraço! Quando chegar em Sampa, também te dou uns beijinhos pessoalmente! Axé, minha irmã! O ouro de Oxum lhe cobre.

P.S: Pra quem não sabe a que texto ela se refere, é o QUANDO ME PERGUNTARAM O QUE SABIA DE MULHERES NEGRAS TRANS. Você pode lê-lo aqui: http://azmina.com.br/2015/11/quando-me-perguntaram-o-que-eu-sabia-de-mulheres-negras-trans