domingo, 13 de outubro de 2013

Racismo na Infância: as marcas da exclusão

Matéria na edição 126, deste mês, da revista Fórum - outro mundo em debate aborda o problema do racismo na infância, os processos de formação da mentalidade racista - a partir de uma cultura pautada pela exclusão e subalternização de pessoas negras - e os seus efeitos perniciosos nas crianças negras discriminadas. Fui uma das pessoas entrevistadas pela jornalista Maíra Streit.
Indico a leitura, inclusive como bom material para um trabalho socioeducativo para reflexão e discussão no sentido do enfrentamento à discriminação racial, especialmente nas escolas. Está disponível no link http://revistaforum.com.br/blog/2013/10/racismo-na-infancia-as-marcas-da-exclusao-2

sábado, 12 de outubro de 2013

A Construção da Cidadania

"Apesar de historicamente estabelecido, o conceito de 'cidadão' ainda está em construção, pois em grande medida a sua definição não é condizente para um número considerável de pessoas.
Ele surgiu, primeiramente, entre os gregos, para os quais o cidadão era o homem frequentador da pólis, o que excluía os escravos e as mulheres: ser cidadão era um privilégio de poucos indivíduos livres do gênero masculino.
Mesmo a Revolução Francesa, tida como alicerce da cidadania, promotora da ideia de que todos os seres humanos nascem iguais (Odalia, 2003), não conseguiu transpor para o mundo real as teorizações inseridas na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão quanto à liberdade, à igualdade e à fraternidade. Isso foi constatado por aqueles que, efetivamente, pretenderam levar ao pé da letra a concepção de igualdade entre os homens: os negros que fizeram a Revolução Haitiana (1791-1804), também conhecida como Revolta de São Domingos (James, 2000).
Conforme relata Hobsbawm (1996), a Revolução Francesa foi organizada em torno de consensos da classe burguesa, não havia líderes, mas ideologias que sustentavam a necessidade da ação contra o Antigo Regime.
Os revolucionários da então colônia de São Domingos acolheram as propostas da metrópole francesa e lideraram uma rebelião bem-sucedida contra os escravocratas. Independente, o Haiti foi alvo de perseguições internacionais por ser um país onde os escravos tomaram o poder. Os governos nacionais, especialmente os americanos, temiam que se propagasse entre os seres humanos escravizados a percepção de que eles tinham o direito natural à cidadania e, portanto, o direito à desobediência civil.
O cidadão não surge no âmbito da família, ou da rede social mais próxima. A figura do cidadão pertence a um agrupamento mais amplo, o Estado. Este é detentor do monopólio da força (Weber, 2003), responsável pelas leis, regulador do interesse geral sobre os interesses particulares. Os direitos dos cidadãos, como construções baseadas na estrutura de um Estado, não são benesses privadas, mas conquistas da coletividade, portanto universalistas:
Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranquila (Pinsky, 2003: 9)".
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Trecho de Jesus, J. G. (2012). Ser cidadão ou escravo: repercussões psicossociais da cidadania. Crítica e Sociedade: Revista de Cultura Política, v. 2, n. 1, 42-63. Disponível em http://www.seer.ufu.br/index.php/criticasociedade/article/view/14920/9772

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fazendo Gênero

Foto de Hailey Alves, divulgada no Facebook.
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Depois do Desfazendo Gênero, participei do tradicional Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 - Desafios Atuais dos Feminismos, realizado pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas, pelo Centro de Comunicação e Expressão, bem como por outros Centros da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com o Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, de 16 a 20 de setembro.
Foi um momento de aprofundamento reflexivo sobre o feminismo e as questões de gênero, contextualizadas aos encontros e desencontros de pessoas, grupos e linhas de pensamentos lá que se encontraram.

Desfazendo Gênero

Foto da autora.
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Lembrando da minha participação no Seminário Internacional Desfazendo Gênero: subjetividade, cidadania e transfeminismo, realizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos pela Diversidade Sexual, Gênero e Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, de 14 a 16 de agosto. Deixou muitas boas lembranças, aprendizados e saudades.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Feminismo Negro na Encruzilhada Afrobrasileira - Seção Temática SERNEGRA

SERNEGRA - II Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça (Instituto Federal de Brasília, de 17 a 20 de novembro)
Programação da Seção Temática - ST 01: Feminismo Negro na Encruzilhada Afrobrasileira: intersecionalidade, diálogos e horizontes (sala do Campus Brasília a ser definida)
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20 de novembro
9h - Apresentação da ST 01 - Coordenadora Jaqueline Gomes de Jesus (UnB)
9h10 - Comunicação 1: Feminismo negro - Douglas Alves Viana (UFG)
9h30 - Comunicação 2: Feminismo negro americano: o conceito jurídico de discriminação múltipla a partir da interseccionalidade - Rodrigo da Silva (UNIRITTER)
9h50 - Comunicação 3: Ser mulher, negra e classe trabalhadora no Brasil: uma análise acerca da intersecção de gênero, raça e classe na sociedade capitalista - Jussara de Cássia Soares Lopes (UFOP)
10h10 - Comunicação 4: Devaneios de uma aprendiz de antropologia - Francy Eide Nunes Leal (UFG)
10h30 - Intervalo
11h - Comunicação 5: Deslocamentos e estratégias de resistência em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, e Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie - Maria Aparecida Cruz de Oliveira (UnB)
11h20 - Comunicação 6: "Escrita de si, escrita da outra": Cristiane Sobral e Lívia Natália - Ana Caroline Carmo Silva (UNEB)
11h40 - Comunicação 7: Tetos de vitrais: gênero e raça na contabilidade - Sandra Maria Cerqueira da Silva Mattos (USP)
12h - Debate
12h30 - Encerramento

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Programação SERNEGRA 2013

Programação da II Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça - SERNEGRA, de 17 a 20 de novembro de 2013:

Programação SERNEGRA by Jaqueline Gomes de Jesus

Visite o blog do SERNEGRA: http://sernegra2013.blogspot.com.br

sábado, 5 de outubro de 2013

São Benedito, O Negro

Fonte: http://www.michaeloart.com/black-magi-and-others-european-art
São Benedito, hoje é o seu dia. Ensina-nos a Folhinha: filho de escravos africanos, nasceu na Sicília em 1526. Jovem entrou para uma comunidade de eremitas franciscanos, passou para a Ordem dos Frades Menores e, no convento de Santa Maria em Palermo foi cozinheiro, mestre de noviços e, em 1578, superior do convento. Morto em 1589, sua canonização ocorreu em 1807.
O caso de São Benedito, venerado por séculos em comunidades negras brasileiras, faz-me refletir - novamente - sobre os processos de exclusão de pessoas negras ao longo da Era Moderna, pautada pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados.
Um escape religioso ante à exploração e às subalternizações estruturais? Um exemplo de ascensão na sociedade branca eurocêntrica? Um token incluído ante a uma imensidão de negras e negros aviltados? Talvez todas as opções, e outras, sejam cabíveis, naqueles tempos em que o Estado, no Ocidente, era imiscuído com a Igreja Católica.
Com relação à contemporaneidade, nenhuma pessoa negra - ou indígena, lembrando que estamos em mobilização pelos direitos dos povos indígenas - deveria, em sã consciência, deveria confiar plenamente no Estado brasileiro para a superação das desigualdades raciais e étnicas deste país, onde o poder é branco, oligárquico - senão clânico - e colonizado.
E não existem mais santos para servirem como referencial. Enquanto o racismo institucional permanecer constante e intenso como é, continuaremos a ter apenas um ou outro exemplo de pessoa negra em espaço de poder - exceções perseguidas e monitoradas que confirmam a regra.
Grandes são os desafios para que as ações individuais e coletivas modifiquem o perfil racista e etnocêntrico do poder neste país - em quaisquer instâncias.