quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

III Conferência Internacional do CEA


Colegas de Tóquio a Ottawa, como escreve o sociólogo e professor Carlos Serra, organizador da III CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO CEA - Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique, estão abertas as inscrições de artigos para a referida Conferência, que ocorrerá em Maputo, de 19 a 20 de Novembro de 2014).

O tema central será DINÂMICAS SOCIAIS EM ÁFRICA: RUPTURAS E CONTINUIDADES:
"...África sofreu e sofre influências e pressões, determinantes no passado e no presente, sobre que rumos seguir e escolhas fazer, num clima de permanente tensão não tanto entre o novo e o velho quanto entre o local e o global.
Que dinâmicas estão em curso? Que riscos sociais e ambientais prever? Que desafios ter em conta? Que políticas e estratégias adotar?"
Os resumos (máximo de 300 palavras) devem mencionar  o subtema escolhido e ser enviados até 31 de Maio de 2014, para o seguinte e-mail: conferencia.cea@uem.mz 

Subtemas:
1. Campo e cidade;
2. Saúde, crenças, doença e cura;
3. Democracia, lideranças e conflitos;
4. Os desafios da industrialização e desenvolvimento;
5. Sistemas educacionais;
6. Exclusão, inclusão e cidadania;
7. Oralidades e escritas;
8. Comunicação e redes sociais digitais;
9. Segurança e justiça;
10. Caminhos da arte: folclores, reinvenções e interculturalidade;
11. Ciências sociais e resolução de problemas;
12. Novas formas de religiosidade;
13. Da etnofilosofia à filosofia intercultural;
14. Temas e representações no cinema;
15. Funções sociais do desporto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Beleza Real

Me, by Negamburguer, in Beleza Real, p. 131.

"Por meio de diversos suportes como o grafite, literatura, internet, 
intervenções urbanas e outras ações, o projeto Beleza Real retrata histórias 
de mulheres reais que sofreram algum tipo de discriminação por suas 
condições ou por pressões a padrões de beleza e como elas superaram 
estas violências".

Tenho orgulho de ter sido uma das financiadoras coletivas deste projeto lindo e importante.
Super parabéns, Evelyn!




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Julgar e Cuidar (Saúde Mental e Trabalho do Perito Médico)




















O livro foi publicado pela LTr Editora, de São Paulo ( http://www.ltreditora.com.br ).

Organizadores e Colaboradores:
Wanderley Codo
Paola da Silva Amendoeira
Remígio Todeschini
Jaqueline Gomes de Jesus
Iône Vasques-Menezes
Marcelo Tavares
Maircon Batista Ribeiro
Renata Pereira de Matos

Sou autora de dois capítulos. O Capítulo 5 - Relações Sociais e o Trabalho dos Peritos, com o querido Wanderley Codo:


E o Capítulo 6 -  Condições de Trabalho dos Peritos:


Para adquirir a publicação, consulte o site da LTr, que indiquei no começo da postagem, ou o procure nas maiores livrarias.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

III Curso de Formação Política da FENED


Nesta quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014, palestrarei no  III Curso de Formação Política da Federação Nacional de Estudantes de Direito - FENED, abordando o tema Opressões e Intersecionalidade.

O curso está ocorrendo em Salvador. Para conhecer a programação completa, acesse http://cfpsalvador2014.wordpress.com/programacao

Todo o Poder Emana do Povo

Henfil!


"A noção de que todo o poder emana do povo não mais é entendida como uma conquista abstrata, porque restrita a princípios universalistas, mas como uma justificativa para a busca por novas formas de participação, para além do voto em representantes. É por meio dos novos movimentos sociais que as pessoas viabilizam, cada vez mais, uma democracia direta pautada pelo conceito de integração social.

O conflito é uma característica inerente, que ao invés de fragilizar a resolutividade das estratégias coletivas, reitera o caráter injusto/desigual do status quo, a partir do aumento da visibilidade das reivindicações desse e daquele grupo social ante à sociedade como um todo, condição essencial, de acordo com Silva e Camurça (2010), para que os problemas desses grupos deixem de ser vistos como particulares e passem a ser considerados uma injustiça.

(...) O posicionamento que reconhece a complexidade das ações coletivas no âmbito da sociedade civil organizada defende a potencialidade de eventos localizados, que à primeira vista podem parecer superficiais, de subsidiar transformações psicossociais e políticas:
os movimentos sociais são muito mais que a soma de suas lutas. Eles são um processo contínuo de ações coletivas com algumas características que lhes são próprias. São ações de longa duração, feitas para revisitar ou transformar uma situação econômica, cultural ou política, e envolvem uma grande quantidade de pessoas que passam a atuar juntas durante muito tempo e de forma organizada, ou seja, realizam ações deliberadas e planejadas (Silva, 2010, p. 7).
Desse modo, é fundamental, para aumentar a resolutividade dos movimentos sociais de cunho político-identitário, entre eles os de gênero, orientação sexual e raça/etnia destacados no presente texto, para além de tentar afetar a consciência desta ou daquela pessoa, questionar a consciência política da sociedade, contradizer a realidade social vigente, problematizar os estatutos e o cotidiano jurídico, para que o comprometimento com os outros, mais do que apenas fruto de empatias pessoais, resulte da convergência coletiva para o fim ou o apaziguamento de conflitos.

A formação de pessoas e, portanto, de grupos sociais, que reflitam sobre a sua realidade, criem uma nova moralidade e busquem transformar o Estado é crucial para se poder, a médio e a longo prazos, modificar o Estado que exclui essas pessoas, por meio da demonstração intelectual à sociedade — e da participação política, não necessariamente partidária — que o Estado criticado não une as pessoas e classes.

Essa ação coletiva é um dos estágios, o mais avançado, das relações intergrupais, e se define pelo aumento da consciência do grupo em desvantagem acerca da injustiça de sua condição, percepção essa que leva os oprimidos membros desse grupo a reavaliarem a forma como se reconhecem e são reconhecidos, a buscarem identificar as particularidades que os tornam únicos e a inovar em suas estratégias de competição com o outro grupo (Taylor & Moghaddam, 1994).

O compromisso que os diferentes agentes governamentais podem assumir no combate à discriminação e à violência decorrente da identidade social das pessoas, por meio de ações de cunho afirmativo, não ocorre desassociado da mobilização de grupos sociais, que se organizam como minorias ativas, para influenciar o Estado.

(...) A análise desenvolvida ao longo deste texto é realista, pauta-se no fato de que, quando se remete em mudanças sociais, o termo “a longo prazo” pode se referir a décadas, ou séculos.

Como defendia Del Prette (1990), o nível de análise da Psicologia sobre os movimentos sociais pode contribuir empiricamente na busca por explicações para esse fenômeno e as questões que ele coloca quanto a comportamento coletivo, afiliação, crença, identidade social e tantos outros fenômenos psicossociais" (Jesus, 2012, p. 179-181).

Jesus, J. G. (2012). Psicologia social e movimentos sociais: uma revisão contextualizada. Psicologia e Saber Social, 1(2), 163-186. Disponível em http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/psi-sabersocial/article/view/4897/3620.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tudo o que é Profundo Ama a Máscara

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress (fonte aqui).


Alles, was tief ist, liebt die Maske [Tudo o que é profundo ama a máscara].
Friedrich Nietzsche, "Para Além Bem e do Mal", §40.


Ainda escreverei seriamente sobre essa que é chamada de "A Minoria Radical", mas tal não é o propósito desta brevíssima reflexão.

Primeiramente, preciso ser assertiva, e dizer/escrever que, em princípio, concordo com algum controle sobre a presença de mascarados nas manifestações, tendo em vista unicamente a segurança das pessoas ali presentes e a preservação do patrimônio.


Por outro lado, sinto, nos debates recentes sobre os protestos, que prevalece uma profunda ignorância, senão temor, acerca da fragmentação das identidades, e por consequência dos objetivos e lemas, na sociedade contemporânea.


Vale lembrar que: 1) não é de hoje a insatisfação das coletividades frente às poderosas, ineficientes e oligárquicas estruturas estatais, que segregam os bens sociais entre as elites e os outros, entre os capitalistas e os proletários; e 2) os interesses são sim difusos, fluidos. Ponto. Assim o são porque não se pautam exclusivamente pelas bandeiras partidárias ou de instituições orgânicas, como ocorria ao longo do Século XX.


Entender essas massas demanda uma sensibilidade que não esteja saudosa tanto do indivíduo romântico, que vive alheio à sociedade, quanto do sujeito como produto exclusivo da macro-estrutura, dos processos históricos-econômicos-sociais.


A indeterminação é uma palavra-chave para se compreender o jogo de querer-poder que aproxima as pessoas nas manifestações, desconhecidos entre si como indivíduos, mas reconhecidos como pares a partir da "afinidade" com princípios gerais ali compartilhados.


O caos e a violência não são trazidos do nada pelos que protestam, eles são revelados por estes como uma rotina da vida urbana. Com tal afirmação não estou endossando agressões e crimes que ocorrem nas manifestações, de maneira alguma, tão-somente identifico sua origem nas violações cotidianas que a maioria da população sofre, e que alguns nos protestos explicitam de maneira direta, bruta, sem elaborações, sem palavras. Explico, não justifico


No momento da manifestação, o anonimato não é importante, ao contrário do apregoam, com natural tom naturalizante, tantos pensadores imediatistas de tudo o que acontece nas multidões. Fundamental é a identificação social com as imagens, os atos, as mensagens e os não-ditos.


Neste mundo/país onde ser é ter e parecer, os mascarados assim se apresentam não apenas para se esconderem, mas também para simularem aquilo que desejam ser: revolucionários, agentes da mudança ou, simplesmente, gente antenada e proativa. Eles falam para os seus muitos intérpretes que são diversos os seus anseios, porém pouco detalhados.


Compreendê-los, desse modo, é um desafio que demanda certo tempo de observação e de reflexão, exercício para intelectuais. E ressalto: quando digo "intelectuais" não me refiro a portadores(as) de títulos ou de fama, mas a trabalhadores(as) do pensamento, que analisam o real e o reelaboram com apuro, sem se preocuparem em ceder à exigência de explicações por parte de quem deseja respostas, quaisquer que convençam, agora.


***
P.S.: A imagem que ilustra esta postagem me lembrou o título e algumas questões do livro "Pele Negra, Máscaras Brancas", de Frantz Fanon... O desenho também pode ser um mascaramento das peles dos que protestam.

Movimentos da População Negra: Marcha Zumbi

Primeira Marcha Zumbi (foto: sem identificação da autoria).


"Na sociedade brasileira, pautada por desigualdades raciais que demandam políticas públicas de difícil consolidação na atual conjuntura política (Jaccoud, 2008), a articulação entre as exclusões de gênero e de raça/etnia são permanentes, determinadas pelas estruturas de poder sexistas e racistas (Carneiro, 2003). Essa convergência de preconceitos potencializa as lutas comuns entre movimentos feministas e de raça/etnia.

Como aconteceu com outras representações coletivas da sociedade civil organizada, o movimento negro moderno, caracterizado pela busca por estratégias autônomas de organização e com foco na ação institucional, fortaleceu-se com a abertura política decorrente da decadência da ditadura militar dos anos 60 a 85 do século XX (Figueiredo & Cheibub, 1982).

De acordo com Nascimento e Nascimento (2000), a partir da organização de vários dos grupos existentes, formou-se, na cidade de São Paulo, no dia 18 de junho de 1978, o Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, rebatizado no dia 23 de julho do mesmo ano como Movimento Negro Unificado, cujas diretrizes e teses até hoje influenciam orientações ideológico-práticas da sociedade civil negra organizada, dentre elas a desmistificação da democracia racial, o enfrentamento à violência policial, a internacionalização da luta antirracista e a introdução nos currículos escolares da História da África e dos negros no Brasil (Domingues, 2007).

A rediscussão da História era fundamental no entendimento do papel proativo dos negros para a formação do país. Aponta-se, como um elemento agregador de valores para esse grupo de ativistas negros, a figura e o martírio do líder Zumbi dos Palmares, modelo alternativo de libertação e de busca autônoma de igualdade, configurada na ideia de consciência, por parte da população negra, quanto a sua história, formação e metas (Fernandes, 1989).

O histórico de manifestações do movimento negro é pautado, mais recentemente, pela realização da Marcha Nacional 300 Anos Zumbi, popularmente conhecida como Marcha Zumbi, realizada em Brasília no Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro de 1995, evento que tornou visíveis várias reivindicações contemporâneas da população negra pela implantação de políticas públicas com recorte étnico-racial, reunindo cerca de 30 mil participantes (Centro de Estudos da Cultura Negra, 1995).

Em 16 de novembro de 2005 a marcha foi reeditada, como Marcha Zumbi + 10, orientando-se por um discurso comum de resistência intransigente, de necessidade de autonomia e independência dos movimentos negros frente aos diferentes partidos políticos e governos (Vieira, 2005)" (Jesus, 2012, p. 177-179).

Jesus, J. G. (2012). Psicologia social e movimentos sociais: uma revisão contextualizada. Psicologia e Saber Social, 1(2), 163-186. Disponível em http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/psi-sabersocial/article/view/4897/3620.