sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Dia da Psicologia

27 de Agosto de 2021: hoje fazem 59 anos da minha #profissão regulamentada no Brasil! #59DiadaPsicologia

#orgulho de ser #psicóloga!

Parabéns a todes colegas psicólogas/os/es! 👏🏾

#psicologia #ciência #educação #pesquisa #saúde #direitoshumanos #diversidade #ética #história


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Textão como um subgênero da auto-ajuda

TEXTÃO COMO UM SUBGÊNERO DA AUTO-AJUDA

Jaqueline Gomes de Jesus


Os últimos anos têm sido difíceis demais para todos nós. Estamos cansados, feridos, muitos caíram no caminho... Confesse: tem sido uma luta diária dormir e acordar, não é mesmo? Aí você acessa a internet para se depara: com a habilidade de uso das palavras e de interpretação de texto e mundo das pessoas cada vez mais debilitada e dependente do juízo dos outros; com a heroicização da mediocridade; com a ignorância sistemática de comunidades sobre as próprias raízes. Como se desativa o whatsapp por um tempo?

Os olhos ardem. A cabeça dói. As pernas formigam; os prazos se tornaram cada vez mais curtos, os computadores entram em obsolescência programada, a indústria cultural nos divertia e agora instrúi, o plágio se tornou tão vulgar que estão copiando até episódios pessoais que você relata nas suas redes sociais, mudança climática e miséria avançam, "siga estas fórmulas para produção de conteúdo". A lógica produtivista é um dos sintomas psicossociais do capitalismo, que nos transforma em mercadorias e literalmente nos consome. Nessas horas as pessoas sensatas pensam: "Ainda bem que não tenho uma arma em casa".

Daí eu me lembro que poderia ter sido assassinada na infância, mas sobrevivi e frutifiquei: se eu fizesse ou não fizesse algo, dissesse ou não dissesse algo, era tudo apontado como ruim, risível ou desinteressante pelos outros. Fui algumas vezes abandonada ou preterida. Machucou, sim, mas o que fiz? Continuei fazendo e dizendo. Entrou por um ouvido, aproveitei o que valia a pena, mandei "se fuder" quando precisavam para evoluírem e muitas vezes deixei sair pelo outro ouvido, quando concluí que o silêncio é fundamental quando constatamos que boa parte das pessoas não lhe ouvem realmente.

Cá estou, viva, apesar de tudo. Tenho experiência de 43 anos em escalar pedras e plantar flores mundo afora, parafraseando aqui Cora Coralina. Então, minha dica bem didática e direta é mandar um foda-se e fazer, pois você sofrerá críticas de qualquer maneira, principalmente quando você não está no padrão de humano idealizado pela sociedade excludente que vivemos.

Você é uma pessoa maravilhosa, faça o que for possível, sem negar a sua própria paz, o próprio ócio, a própria raiva (que a sua ira não lhe afogue em ódio), os próprios amores (que sua paixão não lhe aliene). Isso não significa que tudo que você cria é excelente, infalível, mas que pode melhorar. Ainda estamos vivos para resistirmos, e oxalá nos insurgirmos.

Jaqueline Gomes de Jesus

terça-feira, 13 de julho de 2021

INCÊNDIOS

JAQUELINE GOMES DE JESUS

Psicóloga, professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.


Morta Roberta Silva, aos 33 anos, em 9 de julho de 2021. A causa mortis foi insuficiência renal e respiratória, alguns dias após ter os dois braços amputados, dado o suplício a que foi submetida na madrugada de 24 de junho, durante o Mês do Orgulho LGBTI+, no centro do Recife, quando um adolescente a queimou viva. Ele foi apreendido e cumpre medida socioeducativa. Roberta era uma mulher trans vivendo nas ruas.

Eu poderia ter escrito este artigo tão-somente como um lamento pela atrocidade a que Roberta foi submetida, porém este não foi um único incêndio, talvez nem seja o último: eu me lembro do Galdino Jesus dos Santos, também queimado vivo, aos 45 anos, na madrugada de 20 de abril de 1997, após o Dia do Índio, no centro de Brasília, por cinco jovens que, ao avistarem aquele homem indígena, da etnia Pataxó Hã-Hã-Hãe, deitado em uma parada de ônibus, resolveram, nas palavras deles, fazer uma “brincadeira”, dando-lhe um “susto”.

Os assassinos de Galdino foram julgados e condenados em 2001, atualmente são servidores públicos. Neste país onde nem todas as vidas importam, as desigualdades de classe têm cor, etnia, gênero, sexualidade, origem geográfica. As castas daqui são travestis, indígenas, negras, têm a calçada por casa.

É recorrente, no Brasil, que pessoas em situação de rua sejam assassinadas com o uso de fogo, o que lembra, de alguma forma, os autos de fé da Inquisição. Juízes e carrascos se confundem nestas terras desde que, em 1614, acusaram o Tupinambá Tibira de sodomia e o amarraram à boca de um canhão, no centro de São Luís, que foi disparado.

Este não é somente um obituário para os incendiados, muito menos um libelo punitivista. Eu escrevo como quem abre uma janela para a paisagem que nos cerca, mas de tanto observar esse cenário, diante de tanta dor, muita gente não quer mais ver, ou fica dessensibilizada, diante das florestas seguem sendo incendiadas, das chacinas no Rio de Janeiro, das centenas de milhares de brasileiros sucumbiram à COVID-19, das execuções de nossos representantes, como Marielle Franco, que seguem impunes.

Todas essas mortes poderiam ter sido evitadas, se o Estado não fosse comandado por parcelas da sociedade falaciosamente crentes de que suas concepções discriminatórias lhes conferem uma natureza superior às demais pessoas e espécies.

Se aprender significa mudar, as elites brasileiras, com a sua mentalidade colonizada, não aprenderam nada com os séculos de extermínio, escravidão e censura que infligiram ao nosso povo. Qualquer educação que lhes ensine uma lição diferente torna-se perigosa. Qualquer arte que retrate outros mundos possíveis é taxada de subversiva.

Ante às inversões da opressão disfarçada de normalidade, chega a ser um posicionamento ético repudiar qualquer desejo de retorno ao que vivíamos antes da pandemia, com vistas a um “novo normal”. Muito ao contrário, provavelmente deveríamos advogar o anormal, trabalhar para continuarmos sendo rotuladas como pessoas perigosas e subversivas, frente aos chamados “cidadãos de bem” com suas tradições: cultura do estupro, feminicídio, linchamento e queimas de arquivo.

A pergunta “Quantos mais têm que morrer?” não perturba os algozes, seus cúmplices e os apáticos. O grito incisivo de “Parem de nos matar!”, nestes tempos, soa quase como uma oração. Resta-nos exigir que as instituições nos defendam, alimentarmos a esperança de sobreviver e, como num sonho, à vista da escultura de Siron Franco que representa a morte de Galdino pelo fogo e uma pomba da paz; ou no Cais de Santa Rita, onde Roberta foi queimada; oxalá encontrar quem ainda partilha conosco alguma humanidade, e com este alguém nos comprometer que a gente fará o possível para continuar viva.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

EDUCAÇÃO EM LUTO E NA LUTA



Nota de repúdio sobre a revogação da doação do terreno do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Belford Roxo

A Reitoria do IFRJ, em conjunto com a Direção, servidores e estudantes do Campus Belford Roxo, torna pública a nota de repúdio à aprovação da Lei municipal Nº 1.607, de 09 de junho de 2020, aprovada em sessão da Câmara dos Vereadores do município de Belford Roxo na data de ontem e que revoga a doação do terreno onde hoje se encontra instalado e em funcionamento o Campus Belford Roxo.

Importante destacar que os diálogos entre o IFRJ e a Prefeitura Municipal de Belford Roxo para implantação do campus tiveram início no ano de 2011. Contudo, a doação do terreno aconteceu em 2013, por meio das Leis Municipais Nº 1.479 de agosto de 2013 e Nº 1.520 de setembro de 2014. Em 2015, após as instalações iniciais do campus estarem em funcionamento e suas obras em andamento, a Prefeitura Municipal de Belford Roxo abriu processo judicial visando a retomada do terreno, inclusive, mediante o embargo das obras que estavam sendo realizadas e impedindo a continuidade das mesmas.

A despeito disso, tanto a Reitoria quanto a Direção do campus procuraram manter todos os canais de diálogo com as autoridades municipais, no intuito de atender a todas as demandas que foram colocadas pela Prefeitura e seus órgãos, mas entendendo ser fundamental a manutenção do campus e de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, para o atendimento da comunidade de Belford Roxo e da Baixada Fluminense.

Mesmo diante de todas as dificuldades de infraestrutura provocadas pelos sucessivos embargos às referidas obras e a negação de licenças, feitas por parte da Prefeitura, destaca-se o enorme esforço da comunidade de servidores e estudantes do campus que se dedicaram a oferecer, até o momento, dois cursos técnicos e 27 cursos de qualificação profissional, atendendo desde o início de seu funcionamento centenas de jovens e adultos trabalhadores das mais diferentes localidades da Baixada Fluminense.

Dessa forma, acreditando na importância da manutenção do Campus Belford Roxo para o desenvolvimento da educação pública no município e no estado, a Reitoria do IFRJ, em parceria com a Direção do campus, realizará todas as ações judiciais possíveis para a revogação da lei municipal ora aprovada que representa, no entendimento de todos da comunidade do IFRJ, um retrocesso na oferta da educação profissional pública, gratuita e de qualidade no Estado do Rio de Janeiro.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Quantos mais morrerão para que os vivos se movam?


Se um governo estrangeiro nos atacasse, todos ficaríamos chocados e revoltados com as mortes!
Como não nos revoltaríamos quando o nosso próprio presidente é responsável pelas mortes de milhares de brasileiros?

Talvez as manifestações só comecem a tirar a Câmara do seu imobilismo quando passarem a marchar em direção ao Palácio da Alvorada, enquanto o presidente estiver lá, sendo bajulado por seu gado e recebendo asseclas.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Brasília é uma cidade



Estão divulgando uma informação incorreta sobre Brasília na internet, e como nativa, acho importante pontuar.

Publicaram que Brasília não é cidade, e que ela corresponde somente à Região Administrativa - RA de nome Brasília, que abrange o Plano Piloto.

Isso está errado.

Por que está errado?

Porque Brasília é a área urbana do Distrito Federal, correspondendo às áreas urbanas de todas as RAs dentro do Distrito Federal (o qual, conforme definido na Constituição Federal, é Unidade da Federação, mas não estado).

Segue um exemplo:

O termo "cidades-satélites", apesar de antigo no discurso de muitas pessoas e da mídia, não cabe corretamente à situação, pois as RAs não são municípios.

Tanto não são que elas não têm prefeitos, mas administradores regionais.

Na época em que Cristovam Buarque foi governador, ele apontou claramente para este ponto, que tem a ver também, no fundo, com uma visão depreciativa sobre as RAs periféricas.

Só há um município no DF, e é Brasília.

P.S.: Acho que muito dessa confusão geopolítica surgiu depois que transformaram o cargo de Prefeito de Brasília em Governador do Distrito Federal.

Os estudiosos da História e Política regional candanga que me corrijam, se for o caso.

P.P.S.: Eu nasci no Plano Piloto (Asa Sul) e cresci na Ceilândia (Setor"O"), então sei muito bem que, na real, Cidade não é uma só.

Brasília foi construída dentro de um projeto de apartheid. Essa marca nefasta continua na prática, infelizmente, na mente de muita gente, de formas inconscientes e outras bem conscientes.

Mudar a estrutura que sustenta isso depende de mudanças culturais no próprio pensamento social dos brasilienses acerca da sua identidade.

#Brasília #DistritoFederal