sábado, 5 de novembro de 2016

Você gosta de um Estado que cuida de você?

É no mínimo curioso quando a gente reflete sobre o porquê de o Estado paternalista ser tão defendido no Brasil. Afinal, quando foi que o Estado brasileiro cuidou de alguém que realmente necessitasse?

O Estado paternalista não é uma realidade concreta por aqui, é uma idealização. Quando foi que o povo teve acesso a educação, saúde, assistência social ou segurança de qualidade? Nunca.

E quando esses serviços públicos eram/são apontados como de qualidade, só atendiam/em a uma elite, não eram/são universalizados.

Um detalhe: há toda uma chiadeira quando se pensa em cobrar pela permanência no ensino superior público, hoje gratuito. Fala-se em educação pública e gratuita. Porém a universidade pública brasileira ainda é concentrada nos estratos mais ricos da sociedade. É o gratuito ofertado a quem pode pagar, enquanto a maioria das pessoas negras, por exemplo, tem de gastar seus parcos recursos em faculdades particulares.

Nos Estados Unidos, onde se cobra, o número relativo de pessoas negras formadas no ensino superior é maior do que no Brasil. Há pouco divulguei uma recente pesquisa a respeito, onde se mostra que lá é formado, proporcionalmente, um negro para cada dois brancos; aqui é formado menos de um negro para cada três brancos.

Lá somos pouco mais de 15% da população, aqui somos mais de 50%.

O ensino superior público e gratuito no Brasil tem beneficiado, massivamente, a população branca e mais abastada. Isso mesmo com as ações afirmativas já implementadas, para a população indígena, negra e de baixa renda, que considero poucas, restritas e mal fiscalizadas.

Não estou dizendo, com isso, que cobrar taxas no ensino superior público trará a democracia de fato ao serviço público prestado, não tenho tempo para essas superficialidades. Só afirmo que: o que hoje chamamos de público não é, na realidade, público. E que reformas podem abrir espaço para mudanças inclusivas de fato.

Uns querem preservar o Estado que cuida deles, que se fazem de porta-vozes da maioria oprimida, enquanto esta sonha com o acesso a um lugar que lhes é negado sistematicamente.

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